Mostrando postagens com marcador Perguntas Díficeis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Perguntas Díficeis. Mostrar todas as postagens

9 de dezembro de 2019

Deus Criou o Mal?

Pergunta: “Vocês ensinam que Deus não criou o mal. Mas Ele diz: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Is 45.7). A razão, obviamente, é que a criação é um processo gradativo. O Criador é perfeitamente cíclico, enquanto a criação é semi-cíclica. Todos os que têm a vida eterna, têm menos do que o necessário e precisam estar com Cristo para obter a vida eterna dEle. Eles precisam ser “recarregados” de tempos em tempos, pois não têm a imortalidade em si mesmos; só Deus é imortal. Gostaria que vocês respondessem essa questão em sua revista, pois Deus nos diz que Ele criou o mal”.
Resposta: Em primeiro lugar, Deus não é “perfeitamente cíclico”, seja lá o que você quis dizer com isso. Ele mesmo afirma: “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6). Quanto aos cristãos precisarem ser “recarregados” de vida eterna, isso é uma impossibilidade. A vida eterna é completa, perpétua, e nada pode ser acrescentado ou subtraído dela; ela não se enfraquece, diminui ou se desgasta – o mesmo acontece com os que receberam a vida eterna e pertencem a Cristo; eles não precisam ser “recarregados”, mas são eternamente completos.
Em segundo lugar, a palavra hebraica traduzida aqui por “mal” é ra’, que não significa o mal moral, mas, fundamentalmente, desastres e provações que Deus cria, de tempos em tempos, para disciplinar ou castigar. Mas, mesmo que o assunto seja o mal moral, o versículo que você cita traz a resposta em si mesmo. Deus “cria” o mal da mesma maneira que “cria” as trevas. As trevas não são uma “coisa” que Deus faz. Elas são reveladas pela luz, como sendo a ausência de luz. Da mesma forma, o “mal” não é uma “coisa” que Deus cria, que tenha existência em si mesma. O pecado é definido como estarmos “destituídos... da glória de Deus” (Rm 3.23, Ed. Revista e Corrigida) – a perfeita santidade de Deus é que revela o mal por contraste.
Cristo declarou: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). Deus só “cria” o mal da mesma forma que a luz “cria” as trevas – expondo a natureza dele através de Sua santidade. Ele não é a causa do mal ou da maldade, que vêm do coração do homem. O mal é comparado às trevas em muitas passagens das Escrituras. E a Bíblia nos diz que “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5).

Por que Deus permitiu o Apedrejamento?

Bobby Conway
Certas partes das Escrituras são mais difíceis de entender do que outras. É o caso das passagens que falam do apedrejamento (ver Levítico 20.2724.16Números 15.32-36Deuteronômio 13.6-11; 21.18-21). Eu posso entender a pena de morte, mas o apedrejamento parece tão bárbaro, cruel e severo, especialmente quando o mandamento é direcionado para pais que acusam filhos rebeldes, como visto em Deuteronômio 21.18-21:
18Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde que não obedece ao seu pai nem à sua mãe e não os escuta quando o disciplinam, 19o pai e a mãe o levarão aos líderes da sua comunidade, à porta da cidade, 20e dirão aos líderes: “Este nosso filho é obstinado e rebelde. Não nos obedece! É devasso e vive bêbado”. 21Então todos os homens da cidade o apedrejarão até a morte. Eliminem o mal do meio de vocês. Todo o Israel saberá disso e temerá.
Essa é uma passagem difícil de processar, você não acha? Eu prefiro uma morte por injeção letal, mas apedrejamento? Que bagunça. Como cristãos, como devemos entender esses versículos?
  1. Devemos entender esse texto, como todos os textos, em seu contexto. Não podemos sobrepor nossa compreensão ocidental do século 21 nesse ambiente antigo. Nada trará mais confusão e frustração do que isso. A nossa cultura é uma em que um pequeno golpe causa grandes problemas. Não é de admirar que o apedrejamento seja mais difícil de digerir.
  2. O apedrejamento era o último recurso. O filho descrito nesses versos apresenta um espírito inflexível e rebelde. Ele está mergulhado no pecado, entregando-se livremente à embriaguez e à gula, recusando-se a responder a qualquer disciplina dos pais – ignorando completamente o quinto mandamento. Esses versos descrevem um caso aparentemente sem esperança, onde a pessoa segue o seu próprio caminho; indo contra Deus, seus pais e os princípios da nação teocrática que o rodeia. Ele é um filho “leproso” cujo pecado, se não for controlado, se espalhará e desfará o tecido moral da nação. Depois que os pais percebem a obstinação de seu filho, eles buscam intervenção externa como um recurso final.
  3. O propósito final do apedrejamento era extinguir o mal da comunidade e criar um medo saudável de viver uma vida moral descontrolada. A saúde da nação depende de toda a comunidade andar em sintonia com Deus. Isso não significa dizer que as pessoas não pecavam. Elas pecavam. Muito. E havia todo um sistema de sacrifícios em funcionamento para que as pessoas pudessem obter novamente uma consciência limpa diante do Senhor. O filho descrito nesses versículos não estava buscando uma consciência limpa – sua consciência estava cauterizada.
  4. Esse não era um costume comum. Curiosamente, temos pouquíssimos casos de apedrejamento que ocorrem nos registros bíblicos e não tenho conhecimento de nenhuma evidência extrabíblica de que essa punição tenha sido comumente executada. Talvez sua ameaça tenha sido suficiente para dissuadir as pessoas de tal comportamento REBELDE.
Por fim, Jesus serve como exemplo do coração de Deus em relação ao apedrejamento. Em João 8.7 ele disse àqueles que acusavam a mulher adúltera: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. A lei nos ensina que somos todos infratores. Sob a lei de Deus, todos merecem a pena de morte, mas Jesus a experimentou em nosso lugar, mesmo que ele tenha sido o único a cumprir a lei. Essencialmente, ele foi apedrejado por nós em um ato de amor incondicional ao experimentar a morte em nosso lugar.